Impondo nossa Autoridade
Maria Irene Maluf

A partir desse ponto, instala-se o autoritarismo, um modelo de relação onde o adulto sempre manda e a criança (quase) sempre se submete. Ou se cansa e enfrenta , gerando uma ruptura seríssima na relação, devido à falta de respeito e injustiça que sempre serão lembradas.
Tão pernicioso quanto destrutivo da autonomia da personalidade infantil como o autoritarismo, é o excesso de permissividade: dizer não /ouvir não, e acatar uma ordem pode ser  uma questão de sobrevivência em sociedade.

Educar sempre inclui ensinar e vivenciar valores morais e éticos , respeitar as demais pessoas e agir de acordo com princípios que a família e a escola ensinam. Explicar aos pequenos a razão pela qual devem, podem , não devem e não podem fazer alguma coisa, lhes dá a medida exata da importância que eles têm para seus pais e professores e desenvolve sua auto-estima, sentimento indispensável para criarmos pessoas bem sucedidas, autônomas, equilibradas e felizes.

Da mesma forma, se alguém quer perder sua autoridade definitivamente, deve começar a negociar o seu “não” com uma criança. Por mais que nos arrependamos de ter proibido algo como, por exemplo, de dar um castigo anunciado, porque nosso filho prometeu se corrigir, pediu nova chance, fez birra, chorou, etc, somente nos enfraquece e ao mesmo tempo fortalece nas crianças, um comportamento manipulador e gera pessoas eternamente frustradas, pois não conhecem seus limites. Por isso é sempre melhor responder “vou pensar” que pode se transformar em um “sim” ou um definitivo “não”. Essa orientação diz também respeito às promessas que tanto pais por vezes fazem, seja em termos de prêmios ou de recompensas assim como de castigos e que são praticamente impossíveis de cumpr ir ou controlar. Ninguém consegue deixar uma criança um ano sem ver televisão....deixar dois dias já é difícil!

Isso não significa que não possamos negociar novos acordos, especialmente com os adolescentes, mas para chegar a essa condição, é necessário antes ter tido um tempo para firmar nossa autoridade e nos certificarmos de que o jovem tem compreensão, equilíbrio e condições de gerenciar tal situação.

A autoridade ao contrário do autoritarismo, é uma atitude inteligente, porque dialoga, justifica, mas é firme em seus princípios e limites. Dá segurança e cria pessoas preparadas para a vida , capazes de exercerem  a sua  autoridade , serem participativas e pessoal e socialmente responsáveis.